4/8/09
MOTO OU MORTE?
MOTOTAXI. PERGUNTAS SEM REPOSTAS
Dr. Dirceu Rodrigues Alves Júnior, médico e diretor da ABRAMET
Em 1992, o ilustre professor Dr. Flávio Emir Adura em trabalho de pesquisa junto à Faculdade Capital avaliou 800 motociclistas. Observe que naquela ocasião não havia profissional da motocicleta. Dos pesquisados, 365 tiveram 552 acidentes em um período de seis meses. Concluiu-se que 45,62% foram acidentados em um curto espaço de tempo. O índice de morbidade, isto é, a possibilidade de lesão corporal ou doença foi de 69%. E 50% dos “caronas” sofreram acidentes. O trabalho do Dr. Flávio foi elaborado na cidade de São Paulo e teve o apoio da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET).
A atividade de motoboy surgiu em São Paulo em 1996 e desde então vem sendo confirmado o índice de morbidade estimada na pesquisa ABRAMET de 1992. Mantêm-se hoje os mesmos valores. Vale lembrar que a pesquisa foi feita com amadores da moto e os números de hoje são de “profissionais”.
Olhando o perfil atual do motoboy vemos que 64% querem deixar a profissão, temem o acidente e sequelas. 61% afastaram-se do trabalho devido a acidentes. Os motoboys constituem um terço dos óbitos no trânsito da cidade de São Paulo. Em levantamento feito pela CET em 87 acidentes na Marginal Pinheiros haviam 68 motos envolvidas e 73% das vítimas eram motoboys.
Os dados estatísticos de transporte com moto aumentam assustadoramente com aumento da frota e consequente crescimento de óbitos e sequelados. A periculosidade e penosidade caracterizam-se pelos riscos a que é submetido o motociclista, risco físico, químico, ergonômico, biológico, e de acidentes.
Quando se coloca alguém na garupa que desconhece tais fatores de risco, que não tem treinamento, que desconhece a necessidade de equilíbrio da máquina, que dependendo da idade tem limitações ou que não vê limites para os riscos, tenho convicção de que estaremos retrocedendo no trabalho árduo que a ABRAMET vem fazendo para a redução da violência no trânsito e a preservação da vida.
Além do acidente aqui previsto para os eventuais passageiros dos mototáxis, entram fatores gerados pela máquina e meio ambiente, capazes de produzirem doenças, como é o caso do ruído, fumaça, gases, poeiras, fuligem, vibração, postura e corpo estranho.
Recomenda-se Equipamentos de Proteção Individual (EPI), capacete com proteção da mandíbula e com viseira, macacão, botas, coletes e luvas de couro acolchoados e faixa refletiva.
Como suprir tal necessidade quando se tem um passageiro a bordo? Os EPIs não são obrigatórios? O mototaxista deverá oferecer os EPIs? Será que se ajustarão no passageiro? Terá que ser cumprida a lei, mas como? Quais seguradoras entrarão nesse mercado? Quem fará a fiscalização? Será que darão treinamento ao passageiro?
Hoje, 65% dos leitos em nossas UTIs são ocupados por vítimas de acidentes de trânsito, a quanto chegaremos com mais essa atividade profissional da qual já conhecemos os riscos e o percentual de acidentes e mortes.
É hora de reflexões, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) já informou que o custo de acidentes de trânsito no Brasil é de 28 bilhões de reais por ano. O Departamento de Medicina Ocupacional da ABRAMET estimou em 98 milhões de dólares por ano o custo dos acidentes de motocicleta na cidade de São Paulo. Vale lembrar que tais custos são cobertos com dinheiro público e que perde o país pela incapacidade temporária ou definitiva a mão de obra de jovens na faixa de 18 a 29 anos.
A agilidade não compensa, só aumenta a fragilidade a que se submete o mototaxista e o passageiro.

criado por fernando_pedrosa
12:13:38 — Arquivado em: 

Como mãe de jovem morto em acidente de trânsito,só tenho a lamentar.Parece que nossos governantes não lêem jornais e nem vêem televisão.O número de óbitos e acidentes com danos irreversíveis banalizou-se tanto, que as pessoas ,enquanto a tragédia não entrar em sua porta,estão insensíveis a ela.Vamos voltar as estatísticas anteriores à Lei da Vida.
Mais uma iniciativa lamentável.
Comentário por Alba Menezes — terça-feira, 4 de agosto de 2009 @ 12:39:10
Quem não sabe perguntar, nunca chega a resposta nenhuma. O artigo do Dr. Dirceu Rodrigues não contribui para o entendimento da questão do mototaxi porque não se sustenta sobre um único dado objetivo da realidade específica dessa atividade. É muito fraca a suposição de que o mototaxi não passará de um caso particular do motofrete, tanto quanto é equivocada a análise de que o padrão de morbidade e mortalidade sobre duas rodas no Brasil deriva do motofrete.
Além do mais, discordo completamente dessa hipótese do “guarupa-mongo”, que vem sendo repetida, como último recurso argumentativo. É preconceituosa e irrealista, a idéia de que o passageiro é um inexperiente nas manhas da garupagem e que isso determinará acidentes. Essa idéia do “garupa-mongo” não tem o menor sentido: poucas experiências podem ser mais comuns na maior parte do Brasil hoje do que essa de ser garupa de moto! Basta observar o despertar de qualquer cidade, de Norte a Sul, com seus 40.000 habitantes, para descobrir as motocicletas tomando as ruas com sua ocupação máxima: marido e esposa, esposa e filho, irmão e irmã, colegas de vizinhança, colegas de trabalho. Os leitores paulistas interessados podem, um dia desses, de manha cedo, por volta de 5:30h, colocar-se no viaduto da liberdade, olhando para a ligação Leste-Oeste, na direção da Zona Leste. Você certamente perderá a conta do volume de motocicletas vindo na direção do centro da cidade, quase todas trazendo 2 ocupantes.
Um “garupa-mongo” pode levar todos ao chão? Claro! Entretanto, onde está a medição desse risco “duplicado” do mototaxi? Repetido por todos, o argumento soa quase como uma verdade; falta apenas casar a hipótese com a realidade empírica. Para cada morte de piloto, contar-se-á a morte do passageiro ou os índices de mortalidade são distintos para cada ocupante? Qual é o padrão dos acidentes com mototaxi? Qual é a velocidade média desses acidentes? Afinal, qual é a contribuição específica do mototaxi para a mortalidade e a morbidade sobre duas rodas? Não sabemos, essa é a verdade. Não temos uma única resposta para essas questões.
Esse castelo de inferências, e nenhuma verificação empírica metodologicamente consistente, construído em uníssono por todas entidades representativas da segurança no trânsito não provê uma única evidência ESPECÍFICA sobre o mototaxi. E, de fato, nenhuma foi apresentada ao debate parlamentar, que, vale dizer, já havia redefinido substancialmente a questão do mototaxi (na verdade, esvaziando completamente seus vínculos com a questão da mobilidade e da segurança viária). A disputa política, no entanto, não se sustenta com inferências e graves prognósticos. Os sucessivos manifestos da ANTP, FNP e ABRAMET falaram para ninguém. Foram todos solenemente ignorados porque eram completamente inconvincentes – e mereceram mesmo essa lata do lixo do jogo político.
A comunidade de especialistas representadas pela ANTP, pela ABRAMET e pela FNP fracassaram em fornecer um discurso cientificamente consistente que definisse o mototaxi como um PROBLEMA PÚBLICO. O fracasso foi intelectual e, também, político e foi isso que eu quis apontar no post que escrevi em meu blog [http://biavati.wordpress.com/2009/07/30/breve-nota-sobre-a-vitoria-do-mototaxi/ ].
Atenciosamente,
Eduardo Biavati
Comentário por Eduardo Biavati — terça-feira, 4 de agosto de 2009 @ 17:46:23
Não pensei que esta lei seria aprovada ! Já morrem muitos jovens no trânsito em função da profissão de motoboy, premência da vida de hoje, tão corrida! Agora, com esta lei, o risco é dobrado. Num acidente perderemos dois jovens em vez de um! Lamentável, profundamente lamentável.
Comentário por Aloysio D. Estrada — domingo, 16 de agosto de 2009 @ 21:41:54
O que acontece em nosso país é o não respeito no trânsito tanto motoristas como pedestres, nós criamos o trânsito e fizemos dele um caos agpra esta na hora de mudar, o estresse gerado pelo trânsito mata mais do que qualquer surto de gripe, mas ninguém quer ver pois os carros precisam ser vendidos tem muita gente grande lucrando com o trãnsito e o governo??
Este já vimos que se equipara com nosso congestionamento do dia a dia.
As motos são vidas espostas, será que vale apena expor mais vidas….
Comentário por Lisette Feijó — quarta-feira, 19 de agosto de 2009 @ 17:53:55
Acho equivocado culpar motociclistas pelos altos índices de morte no trânsito. Como já foi dito, a falta de respeito é generalizada, tanto de motoristas de carros quanto de motos. A questão é que realmente a moto te deixa exposto. Mas se todos que guiam moto dirigissem com segurança, diferente de como vemos muitos motoboys circulando pelos corredores das grandes cidades. Tem que haver um trabalho de consciêntização e valorização da vida. Dentro de carros ou motos vão pessoas, e no momento que a população enxergar isso, haverá menos acidentes. E menos carros, menos congestionamentos, menos poluição, menos prejuízos financeiros e ambientais. Pensem nisso.
Comentário por Renan Cristian — sexta-feira, 4 de setembro de 2009 @ 12:31:51
Mortes no trânsito superam homicídios em Campinas e motos representam metade das ocorrências com vítima fatal
Os acidentes de trânsito são a principal causa externa de morte em Campinas, superando os índices de homicídio, suicídio e quedas, segundo o segundo levantamento feito pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), em parceria com a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) e o Núcleo de Prevenção de Violência e Acidentes Promoção à Saúde.
O “Boletim de Mortalidade – Acidentes de trânsito: ocorrências e mortalidade de Campinas”, divulgado nesta quinta-feira (3), revela ainda que os acidentes com motos exibem as maiores taxas de mortes no trânsito de Campinas, com risco fica para o motociclista, o carona* e o pedestre, principalmente o idoso. Em segundo lugar no risco de mortes ficam os acidentes com ônibus e caminhões.
* Olha o mototaxi aí!!!!
Comentário por EPTV NOTICIAS — sexta-feira, 4 de setembro de 2009 @ 23:16:29
SOU CONTRA A LEGALIZAÇÃO DOS MOTOTAXIS, HAJA VISTA O RISCO INERENTE AO PRÓPRIO VEÍCULO, AGRAVADO PELA FALTA DE AMOR PRÓPRIO DE QUEM A CONDUZ E DE QUEM PEGA CARONA. É COM GRANDE FREQUÊNCIA QUE CRUZO COM MOTOQUEIROS E CARONAS COM O CAPACETE PENDURADO NO COTOVELO! PROTEÇÃO PARA A CABEÇA, NADA!
DEMAIS DISSO, “AS BARBERAGENS E OUSADIAS” QUE OS MOTOQUEIROS GOSTAM DE COMETER ME FAZEM CRER QUE ESSE TIPO DE TRANSPORTE NÃO É ADEQUADO PARA BELÉM DO PARÁ.
Comentário por JANE COUTINHO — domingo, 20 de setembro de 2009 @ 13:27:22