13/4/09
LEI SECA E A AÇÃO DOS CADEIRANTES

A MISSÃO SALVADORA DE QUEM NÃO TEVE ESSA CHANCE…
Na quarta feira, dia 08 de abril, no meu plantão na praça do pedágio da Ponte Rio - Niterói, trabalhei na Operação que o governo do estado e a Ong TRÂNSITOAMIGO estão fazendo em apoio à chamada Lei Seca, contra o consumo de álcool na direção. Esta campanha tem como principais participantes pessoas que foram vítimas de acidentes de trânsito, e que em razão deles, hoje necessitam de cadeiras de rodas. Passaram a ser “cadeirantes”, como todos a eles se referiam.
Acostumada a lidar diariamente com acidentes de trânsito, poucas vezes cheguei a acompanhar a trajetória das vítimas após sua entrada na ambulância de socorro. Chamou-me atenção ver, juntos, 12 cadeirantes vítimas do trânsito, e saber que ainda chegariam mais. E que aqueles eram a mínima fração do que acontece todos os dias na cidade. Parecia que eu via ali as provas vivas de todos os momentos em que alguma coisa deu errado: alguém não fez o que tinha que fazer. Quem tinha que legislar, não legislou; quem tinha de executar, não executou; quem tinha de fiscalizar, não fiscalizou ou quem tinha que educar, não educou.
Como agente da autoridade de trânsito, mal consegui olhá-los nos olhos em um primeiro momento, pois apesar de não saber o que exatamente deu errado para cada uma daquelas pessoas, a única certeza que tinha é que todas aquelas tragédias aconteceram no trânsito. Senti-me constrangida. Parecia que estava chegando atrasada para alguma coisa. Tantas vítimas!
Em uma pequena roda os cadeirantes contavam suas histórias, sendo alguns vítimas diretas e outros indiretas, da perigosa mistura álcool e direção. Uma moça foi atropelada na calçada, perdeu a mãe e ficou paraplégica por causa de um motorista embriagado. Três rapazes voltavam alcoolizados de festas na madrugada, quando sofreram os acidentes. Outra pegou carona com um rapaz que, bêbado, decidiu “fazer um pega” no caminho. Ele quebrou o braço. Ela perdeu o movimento das pernas com 18 anos de idade.
E a tragédia é democrática em sua abrangência social: trabalhando na campanha OPERAÇÃO LEI SECA encontrei cadeirantes de todas as origens. Alguns, com vida independente: atletas, profissionais inseridos no mercado de trabalho e proprietários de carros adaptados. Outros, pessoas humildes, que vivem com a família e passam por todo o tipo de dificuldades, do acesso à educação ou simplesmente sair de casa, em razão do local onde moram.
Durante o trabalho fiz questão de acompanhar cada um deles ao lado das cabines de pagamento do pedágio, onde ficaram. Presenciei a dedicação com que falavam e entregavam os folhetos e os cartazes da campanha, sendo bem recebidos pela maioria e tratados com descaso por poucos. Em um destes momentos, ao perceber que eu iria abordar um motorista mal educado, um dos cadeirantes me disse: ele deve ter tido um mau dia, deixa prá lá…
Outro cadeirante, diante de situação semelhante, falou: “só podemos conscientizar quem quer ser conscientizado”. “A nossa parte a gente faz”. Também os ouvi pedindo: “coloca o cinto, por favor: se eu estivesse de cinto não teria ficado assim”.
Esta campanha, para mim, foi além do que se propôs. Foi uma lição de vida, de humildade, de amor ao próximo. Conheci pessoas que tiveram a coragem de passar por cima de seus dramas pessoais, expondo publicamente sua própria condição, como exemplo para mudança de atitudes de outros. O brilho nos olhos deles continuou até o último minuto da campanha. Acho que o sentimento de missão cumprida, com dedicação e carinho, estava dentro de cada um, ainda que misturado à fuligem de quatro horas no meio do trânsito engarrafado.
Parabéns aos criadores e a todos os que participam e apóiam esta campanha!

Marisa Dreys
Inspetora da Polícia Rodoviária Federal/RJ
criado por fernando_pedrosa
20:30:25 — Arquivado em: 

Parabens pela iniciativa. Peço-lhes permissão para poder pelo menos tentar uma campanha dessas aqui em Cuiabá/MT. Não sou cadeirante, mas sei e sinto os seus problemas e espero poder ajudá-los de alguma forma, inclusive trabalhando junto a empresas e governos para uma ajuda financeira.Sou Presidente de uma OSCIP cujo site (em formação) já passei e volto a agradecer e parabenizar pela brilhante iniciativa e estou de braços abertos para aceitar sugestões. Um grande abraço a voces.
Comentário por Régis Massarelli — quarta-feira, 2 de setembro de 2009 @ 11:00:06
boa noite!!!
Estive de feirias em cabo frio, e adorei a iniciativa da ONG sobre os adesivos da Lei Seca-
Eu apoio.. Tirei informações de como comprar um adesivo criativo como essse, porem, ninguem soube me informar ; voltei frustrado por não ter podido adquirir um pra botar no meu carro. Gostaria imensamente de receber um adesivo , se possivel, até envio as despesas de correio. sem mais, carlos oshiro - Cambe, da grande Londrina-PR.
Rua 12 de Outubro , 293 - jardim união - Cambe- PR - 86.185-580
43- 3253-1795
abçs
Comentário por carlos oshiro — terça-feira, 29 de setembro de 2009 @ 22:33:55