Blog do AMIGO DO TRÂNSITO

Espaço para a livre manifestação sobre questões do trânsito brasileiro. Criado pela Ong TRANSITOAMIGO funciona como Tribuna Livre para críticas, denúncias e elogios. É também um espaço para a vítima, seus familiares e amigos.

26/3/09

MANIFESTO AOS NOVOS PREFEITOS

MANIFESTAÇÃO PÚBLICA DA TRÂNSITOAMIGO AOS PREFEITOS ELEITOS EM FAVOR DA MAIOR SEGURANÇA E DA QUALIDADE DO TRÂNSITO BRASILEIRO.

- No Brasil, a cada ano, acontecem acidentes nas vias públicas onde dezenas de milhares de pessoas perdem a vida e outras tantas se tornam deficientes ou incapacitadas.
- Embora os números dessa tragédia cresçam a cada ano, a segurança das vias públicas não recebe a devida atenção das autoridades responsáveis pelo setor.
- Dentre as razões apontadas para esta triste realidade, destacam-se a falta de iniciativa adequada do poder executivo dos três níveis (federal, estadual e municipal); a inconsciência da sociedade para a dimensão do problema; a carência de informações sobre sua magnitude e a não adoção de iniciativas capazes de impedir ou reduzir os danos ocasionados.
Pelo exposto, a TRANSITOAMIGO, em nome da sociedade civil organizada brasileira vem por este documento manifestar suas reivindicações aos prefeitos eleitos de todo o Brasil para a questão do trânsito, com base nas Seis Recomendações da Organização Mundial de Saude para um Trânsito Saudável e Seguro, difundidas mundialmente em 2004.

RECOMENDAÇÃO 1: Designação de um órgão específico na Administração Pública Municipal para as atividades de planejamento, controle e fiscalização do trânsito que contenha em sua estrutura administrativa um setor competente para estudar e desenvolver ações no campo da prevenção e da segurança viária.

RECOMENDAÇÃO 2: Através da ação integrada entre esse novo organismo e demais secretarias do município avaliar o problema do trânsito na cidade, com profunda análise dos pontos críticos, a prevenção e seu tratamento, definindo um novo marco institucional que trate adequadamente as conseqüências da violência no trânsito, não só no aspecto do atendimento às vítimas, mas principalmente, na capacidade de preveni-los.

RECOMENDAÇÃO 3: Preparação de um plano de ação do município sobre segurança viária, que deve contar com a participação de organismos públicos afetos ao transportes, à saúde e à educação com colaboração estreita de setores não governamentais especializados em segurança viária, engenharia, urbanismo e saúde.

RECOMENDAÇÃO 4: Destinar recursos financeiros e humanos para tratar o problema na quantidade e qualidade que a questão requer.
Para isso, além da efetiva aplicação dos recursos oriundos das infrações de trânsito – como assim determina a Lei Federal 9.507/97 que instituiu o Código de Trânsito Brasileiro – é desejável que o município procure fontes alternativas de recursos para alcançar os objetivos pretendidos na segurança viária.

RECOMENDAÇÃO 5: Aplicar medidas concretas para prevenir as ocorrências de trânsito nas vias públicas; reduzir ao mínimo os traumatismos e suas conseqüências e avaliar a repercussão destas medidas.

RECOMENDAÇÃO 6: Promover a cooperação nacional e internacional, de modo formar uma grande rede de colaboração multidisciplinar para o enfrentamento do problema.

CONCLUSÃO
O objetivo Desse manifesto da TRÂNSITOAMIGO é prestar sincera contribuição para o desenvolvimento de conhecimentos sobre a segurança viária.

Com essa manifestação a TRANSITOAMIGO pretende estimular as autoridades das cidades brasileiras a assumirem perante seus munícipes o compromisso de enfrentarem o problema erradicando, ou pelo menos diminuindo sensivelmente, as tragédias diárias nas vias públicas da cidade.

Os chamados acidentes de trânsito são rigorosamente previsíveis e, portanto, perfeitamente evitáveis. No entanto, para lutar contra este problema é necessário competência, dedicação, seriedade, integração e metas previamente estabelecidas entre muitos setores de governo e da própria sociedade

Embora já existam acanhadas intervenções que podem salvar vidas e prevenir a incapacidade, vontade e compromisso político são essenciais e, sem eles, pouco se pode conseguir.

Este é o momento de decisão e atuação.

Os usuários da vias públicas brasileiras merecem uma circulação viária melhor e mais segura.

Associação de Parentes, Amigos e Vitimas de Trânsito

Fernando Diniz
Presidente

criado por fernando_pedrosa    18:35:09 — Arquivado em: Sem categoria

21/3/09

NÓS TRANSGRESSORES…

"A INFRAÇÃO DO BEM"

Gostaríamos de ver no trânsito uma expressão de cidadania, um modo de partilhamento do espaço das vias públicas, ordenado por regras comuns e impessoais. Mais do que uma necessidade vital individual, transitar seria um exercício cotidiano de solidariedade, gentileza e, sobretudo, respeito à integridade de cada pessoa, especialmente daquelas cujos deslocamentos as colocam em posição mais frágil na cidade - os pedestres.

Entretanto, transitar é transgredir regras em nossa sociedade. Nosso modus vivendi nas ruas é um exercício sistemático de submissão da lei a interesses individuais. A novidade nos últimos 10 anos, a partir da municipalização da gestão do trânsito, foi que o poder de fiscalização das condutas aumentou significativamente e isso acabou revelando nossa não-cidadania de todos os dias.

Veja o que acontece na cidade de São Paulo: o descumprimento das regras do trânsito é flagrado e autuado pela fiscalização, aproximadamente quatro milhões de vezes a cada ano. Parece muito, mas, é bem pouco se considerarmos que por dia circulam cerca de quatro milhões de veículos na cidade. Ainda assim, vale analisar um detalhe desses números: quase a metade desses flagrantes é realizado eletronicamente e diz respeito a apenas uma das centenas de infrações previstas pela lei - o excesso de velocidade. Como não é aceitável imaginar que as pessoas, milhões delas, avancem o limite de velocidade por esquecimento ou porque desconheciam que havia um limite naquela via, os sensores inquestionáveis dos radares capturam um fenômeno muito mais profundo: a insubmissão deliberada dos indivíduos às condutas prescritas pelo Código de Trânsito. O condutor corre porque QUER correr, propositalmente, intencionalmente.

A transgressão das regras de circulação não é uma exceção, nem pode ser compreendida como um comportamento patológico de certos indivíduos. Ao contrário, transgredir a regra é uma prática generalizada, que se desdobra em pequenas atitudes, sempre justificadas pelas circunstâncias da vida agitada da metrópole - são as ”infrações do bem”.

Por exemplo, correr além do limite da velocidade da via, se não for muito abusivo, é uma infração "do bem", que pode ter várias justificativas: uma mulher em trabalho de parto, uma entrevista para um emprego e até uma insuportável dor de barriga.

É por isso que todos têm tanto ódio dos radares - eles tratam com rigor excessivo o que não é considerado verdadeiramente uma "infração". Correr 12 km/h além do limite da via, por exemplo, é perfeitamente aceitável; é uma "pequena infração", comparada a correr a 120 km/h, quando a velocidade máxima é 60 km/h. Qual é o mal que pode causar 12 km/h a mais? Isso torna alguém um assassino, um criminoso, um bandido? Engraçado é que as pessoas detestam os radares, mas, não são contra radares; a opinião geral é que eles são ”muito importantes” para impedir a violência dos ”loucos que correm pelas ruas a mil por hora”.

A infração "do bem" é isso uma adaptação momentânea da regra: a pessoa estaciona o carro em fila dupla, mas, ‘’só por um minutinho”, atende ao celular enquanto dirige, mas, ‘’só pra desligar”, estaciona o carro sobre a faixa de pedestre, mas, "só de noite, quando não tem ninguém passando", bebe uma ou duas latas de cerveja, mas, "está ótimo para dirigir"; a lista de exemplos seria infinita. São atos de esperteza, uma prova do ”jogo de cintura” da nossa cultura. Mas ninguém é contra o Código de Trânsito; isso nem se discute! Na maior parte das vezes, a regra até é seguida pela maioria das pessoas. Quando se julga, porém, que é necessário suspendê-la, isso é feito sem grande remorso.

Quem arrisca uma ”infração do bem” sabe, em primeiro lugar, que sua atitude é uma transgressão e que ela depende da inexistência da fiscalização e, por conseguinte, de uma garantia de impunidade. A ”infração do bem” existe no espaço deixado pela inobservância das condutas. Se ninguém viu, qual é o problema de seguir na contramão ‘’só por uns 20 metros?”.

O problema começa quando milhões de habitantes fazem a mesma coisa simultaneamente. Quando falha o ordenamento, prevalece a força dos interesses particulares e, principalmente, sabota-se a previsibilidade das ações no trânsito e sem previsibilidade não há trânsito seguro.

Eduardo Biavati,
sociólogo

Artigo originalmente publicado no informativo de março ABRAMCET NEWS

criado por fernando_pedrosa    10:50:01 — Arquivado em: Sem categoria

9/3/09

MULHER AO VOLANTE

 

TRÂNSITO TAMBÉM É COISA DE MULHER !

Para os habitantes dos grandes centros urbanos hoje, falar sobre trânsito é quase tão comum quanto falar sobre o tempo: todo mundo olha para o céu e arrisca uma previsão. Conviver com congestionamentos, acidentes, desrespeito e mortes no trânsito já parece familiar para boa parte da população. Todavia, um olhar mais atento desperta para alguns detalhes que não podem passar despercebido neste dia internacional da mulher.
O trânsito é basicamente composto por motoristas e pedestres. Na dinâmica do dia-a-dia, homens e mulheres compartilham este espaço público, notadamente mais masculino do que feminino. A quantidade de homens habilitados no Rio de Janeiro supera a quantidade de mulheres. Segundo dados do DETRAN/RJ, 73% dos habilitados no estado são homens, contra 27% de mulheres.
Entretanto, os contrastes entre motoristas homens e mulheres vão muito além dos números. A relação do homem com o automóvel é intensa e construída desde a infância: da decoração do quartinho do bebê com motivos de automóveis aos carros de brinquedo e games de corrida, presentes constantes nas datas festivas. Às meninas, até passado recente, ainda eram reservadas apenas as bonecas e panelinhas. Hoje, com o advento dos brinquedos eletrônicos a situação mudou um pouco, mas mesmo assim, ainda prevalecem temas “de menina”. Ou seja, enquanto os homens são preparados para serem motoristas, as mulheres são induzidas para outras funções – principalmente as domésticas - sem que a elas sejam oferecidas escolhas diferentes que diz respeito à sua relação com o carro e com seu futuro como provável motorista.
O automóvel hoje tem uma representação fortemente identificada com a figura masculina. Vigor e potência do automóvel, somados à velocidade, passam a ser encarados como a própria expressão do poder na contemporaneidade. A socialização dos homens para o automóvel é antiga e simbolicamente pode ser comparada ao que representavam os cavalos para os senhores feudais na cultura medieval: eram eles o signo da virilidade. Mesmo hoje, apesar de todas as lutas e conquistas obtidas pelas mulheres em diversos campos, esta lógica continua a se reproduzir.
No trânsito é comum nós mulheres ouvirmos frases pouco elogiosas a respeito de nossa capacidade de conduzir automóveis: a primeira delas e talvez a mais abrangente seja a exclamação “tinha que ser mulher!” . Outra pérola que ouvimos, mas já um pouco fora de moda é “lugar de mulher é na cozinha!”. Penso que o conteúdo destas frases ditas no calor da emoção das situações tensas de trânsito – congestionamentos ou acidentes - demonstra o quanto o fator gênero ainda é motivo de todo tipo de preconceito, principalmente quando as mulheres “invadem” nichos de mercado anteriormente reservados aos homens, como as funções que envolvem a condução de veículos.
As companhias seguradoras, baseadas em estatísticas que demonstram que mulheres dirigem de forma mais cuidadosa e envolvem-se menos em acidentes, oferecem, na contratação de seguros, bons descontos se o carro pertencer a uma mulher e ela for a principal motorista. Ou seja, pela visão de negócios das seguradoras, os fatos negam o histórico preconceito quanto à competência da mulher motorista.
Mas nem tudo está perdido. Os avanços da legislação de trânsito, traduzido em sua maior expressão pela Lei de Tolerância Zero de Álcool ao Volante, também veio salvar a mulher das reservas de muitos homens a deixá-las dirigir o seu “querido carrinho”. É que hoje as mulheres representam o maior “Amigo da Vez” quando o assunto é voltar para casa de carro depois da cervejinha. É a solidariedade, o altruísmo feminino e a natural vocação para a paz e a harmonia que falam mais alto e nos deixa bebendo refrigerante e água para que levemos nossos amigos, amigas, companheiros ou filhos em segurança de volta para casa.
O curioso desta estória toda é que mesmo assim o preconceito não acaba: há quem ande dizendo por aí que a culpa disto tudo é do próprio álcool. Só mesmo estando bêbado para deixar a mulher dirigir!!!
Por todos esses motivos, neste mês de março quando se comemora O Dia Internacional da Mulher, vamos celebrar todas as nossas conquistas com alarde e galhardia e celebrar também o sucesso da Lei Seca, que com a nossa ajuda está salvando muitas vidas e provando que, cada vez mais, o trânsito também é coisa de mulher!

 

Marisa Dreys - Inspetora da Policia Rodoviária Federal

criado por fernando_pedrosa    19:51:50 — Arquivado em: Sem categoria
Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://transitoamigo.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o serviço e siga participando do Terra Blog.