Blog do AMIGO DO TRÂNSITO

Espaço para a livre manifestação sobre questões do trânsito brasileiro. Criado pela Ong TRANSITOAMIGO funciona como Tribuna Livre para críticas, denúncias e elogios. É também um espaço para a vítima, seus familiares e amigos.

27/9/08

ROSTO E HISTÓRIA - Rosana Antunes

UM ACIDENTE E UM NOVO CAMINHO

Minha família sofreu um grave acidente automobilístico no dia 14 de fevereiro de 1991, em São Paulo, na rodovia Padre Manoel da Nóbrega. A esposa do meu irmão conduzia o veículo com meu pai do lado e minha mãe e dois sobrinhos no banco de trás. Minha mãe não usava o cinto de segurança. Um caminhoneiro embriagado vinha na contramão e para não sofrer uma colisão frontal, minha cunhada fez uma manobra defensiva e o veículo capotou várias vezes. Ela machucada ainda teve sua situação agravada porque foi socorrida sentada com a coluna fraturada e transportada assim por 30 km até o hospital.

Minha mãe ficou gravemente ferida e com apenas 3% de chance de sobreviver. Conseguiu, mas ficou paraplégica.

Naquele tempo, acidentes eram vistos como uma mera fatalidade. A polícia conseguiu interceptar o caminhoneiro, viram que ele estava embriagado, obrigaram-no que ficasse algum tempo no Posto Policial e depois o liberaram. Sequer anotaram seu nome. Esse procedimento era o normal naquela época, porque minha mãe fora levada para o hospital com vida. Era como se o grave acidente não tivesse sido grave.

Seis meses após o acidente, impressionada com as seqüelas irreversíveis da minha mãe e assistindo o sofrimento de outras famílias nos hospitais, encaminhei um dossiê para os presidentes das montadoras e para as autoridades de trânsito com sugestões simples que se fossem implementadas poderiam salvar vidas e evitar muitas tragédias.

Destacam-se: a obrigatoriedade dos veículos produzidos no Brasil de saírem de fábrica com o cinto de três pontos e os encostos de cabeça nos bancos traseiros, como itens de série; o uso do cinto de segurança nos centros urbanos; a exigência de conhecimentos básicos de primeiros socorros ao tirar e renovar a carteira de habilitação e a inclusão de manuais de primeiros socorros na literatura de bordo dos automóveis. (fui entrevistada no Jô Soares, ganhei o prêmio Volvo de Segurança no Trânsito, tenho inúmeras matérias publicadas em jornais e revistas, a história é longa).

Desde 1991, portanto são 17 anos, dedicados a educação e humanização do trânsito.
Em 2000, idealizei dentro da Universidade Newton Paiva o Núcleo de Humanização do Trânsito. Um departamento de Extensão Comunitária que tem mais de 12 projetos consolidados, voltados para a redução dos acidentes. O Núcleo já ganhou 8 premiações nacionais, tem um amplo apoio de toda a imprensa e a Newton Paiva é a única universidade do país que tem uma área dedicada à Educação no Trânsito.

Eu era estilista, tinha uma fábrica e uma loja muito badalada na Savassi, um dos bairros mais nobres de Belo Horizonte. Fiquei tão angustiada com o drama vivido por minha mãe e pelas crianças e jovens que conheci nos hospitais que, após 2 anos do acidente, decidi abraçar a humanização do trânsito como missão de vida. Minha família ficou extremamente preocupada na época, pois eu adorava minha profissão, tinha um negócio muito bem sucedido e eles não entendiam porque abandonar tudo isso e tomar tal decisão.

Mas assim fiz e comecei a proferir palestras, ministrar cursos, participar de seminários e congressos para aprender, comecei a conhecer as pessoas ligadas ao trânsito e aí Deus me mostrou esse novo caminho.

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18/9/08

ROSTO E HISTÓRIA - João Paulo

 

MEU PEQUENEO E ETERNO PRÍNCIPE

Sempre penso como é difícil falar de um filho. Bem é difícil e fácil ao mesmo tempo, pois falamos de alguém que amamos da maneira mas especial que pode existir… O dia que a humanidade se amar como os pais amam seus filhos o Mundo será perfeito, as dores cessarão.

O meu João Paulo, JP, sempre foi uma pessoa feliz Sua alegria transbordava desde a infância. Nasceu cheio de talentos e sempre me surpreendia com sua criatividade. Eu nunca me preocupei com o seu destino, pois imaginava que Deus tinha reservado um futuro especial para ele, já que era dotado de muito talento para as artes.

Já muito pequeno desenhava muito bem. Aos sete anos montou um carrossel que desenhou no caderno. Aos nove copiou à mão livre um quadro da avó e por aí foi. Fez vários cursos de desenho e na adolescência, quando estava cursando desenho artístico, veio me pedir para fazer um curso de teatro. Na ocasião eu não podia pagar o novo curso. Então, um mês depois, ele voltou dizendo: “Mãe escrevi para o diretor do curso de desenho e mandei alguns desenhos meus. Ganhei uma bolsa integral. Agora você pode pagar o curso de teatro?” E assim foi, este era o jeito dele.

Em novembro de 2006, ele me falou que iria trabalhar em São Paulo, iria para uma emissora de TV. Eu falei para Deus: “Senhor vai levar meu filho para longe de mim? Mas se for para o bem dele que seja”. Naquela ocasião, ele estava trabalhando em uma empresa de designer , da qual participou da montagem e que foi premiada por uma universidade. Além disso, tinha acabado de atuar em uma peça de teatro e estava ensaiando para outra. Ele estava muito feliz, num dos melhores momentos da sua vida. Fazia aulas de canto, de teatro e de dança. Tudo de bom estava acontecendo na sua carreira profissional.

Infelizmente, nesse momento um outro jovem atravessou a sua vida. Na madrugada do feriado de 15 de novembro ele foi atropelado e morto quando voltava para casa.

Foi a dor mais terrível da minha vida.

Domingo passado uma pessoa me perguntou se penso muito nele. Eu respondi: todos os dias. Procuro não pensar em sua morte e sim em sua vida, tão feliz e tão plena de integridade e de amor ao próximo. Ele me deu lições de fraternidade, me surpreendendo e fazendo com que eu percebesse e vencesse minhas limitações e preconceitos. Ele amava pessoas, independente de qualquer coisa.

É duro escrever sobre sua morte, mas é preciso. Comecei o dia abrindo uma página de reflexão, como sempre faço, ao acaso, e li “razão da morte prematura”. Pensei: como assim? Meu Deus não permita que nada aconteça a nenhum de meus filhos. Tenho outros filhos, maravilhosos. No entanto, a pergunta mais inconveniente que sempre escuto é “Ele era filho único?”. Então criei a seguinte resposta: Você tem cinco dedos em cada mão? Gostaria de ficar sem algum? Então transfira este sentimento a um ente querido. As pessoas não entendem. Sempre me lembro da Nair Belo e da lição que ela me deu em relação aos irmãos-órfãos. Faço de tudo para continuar sendo mãe amorosa dos que ficaram, pois eles já perderam o irmão, não merecem ficar sem a mãe. Porém, isso não diminui minha dor. A saudade é o pior tormento.

No final daquele dia todos estavam bem. Mas a alegria durou pouco. No meio da noite o telefone tocou e era do hospital. Quando cheguei lá o João já estava morto. Eu tinha falado com ele por telefone. Ele ia dormir na casa de um amigo, sócio da empresa. Eles se reuniram para falar sobre alguns projetos. Ficaram conversando até tarde, mais ou menos 1h30min da madrugada, então um deles chamou um taxi para ir para casa e ofereceu carona ao meu filho. Ele recusou e resolveu aproveitar para ir para casa a pé, nunca chegou. Na Tijuca, ao atravessar a Av. Heitor Beltrão, ele foi atropelado por um jovem dois anos mais velho que ele, tinha 22 anos. O jovem estava acompanhado da namorada e de uma amiga. Segundo seu depoimento, ele saíra de casa, na Rua Marquês de Valença, e ia levar a namorada em casa no Bairro de Colégio. Resumindo, ele disse não ter visto o João, que tinha 1,78m, num trecho que é bem sinalizado e iluminado. O rapaz se recusou a fazer exame no IML para constatar se havia consumido algum tipo de droga. Sua advogada, segundo testemunho de um policial, bradava ao médico que examinasse o meu filho morto, a ponto do médico perder a paciência dizendo: “Senhora o rapaz está morto, faremos o exame nele depois, o seu cliente é que precisa ser examinado agora”.

Nada disso trará meu filho de volta. Mesmo assim, quero e luto por um trânsito livre de desrespeito e crime. Tudo o que for possível fazer para evitar dor de outras famílias e a interrupção de vidas como as do meu filho quero fazer.

Por isso este meu desabafo, dolorido, inconstante em seu relato, mas extremamente sincero de uma Mãe-Orfã.

Te amo Meu Filho e sempre te amarei.

Estou em luto e luto por um mundo um pouco mais parecido com aquele que você tanto sonhou, pois sei que um mundo perfeito existe em seus bons sentimentos e em seus ideais, meu Pequeno Príncipe (assim os amigos o apelidaram).

Anna Mateus

criado por fernando_pedrosa    18:13:55 — Arquivado em: Sem categoria

11/9/08

ROSTO E HISTÓRIA - PRF Marisa

OS OUTROS SOMOS NÓS

Ao ler a série “Rosto e história por trás dos números frios dos acidentes de trânsito”, lembrei de muitas ocorrências que presencio no meu dia-a-dia como policial.
A frieza dos números dos acidentes começa com a naturalização do acidente de trânsito. Muitos motoristas o encaram como “natural”. Acidente de trânsito não tem nada de natural. Pode ser comum, mas não “natural”.
Acidentes de trânsito são evitáveis em 99% dos casos e acontecem na maior parte das vezes por falha humana, entre as quais imprudência, imperícia ou negligência do motorista.
A idéia de “normalidade” dos acidentes de trânsito vem da percepção do senso comum de que em uma cidade grande “acidentes acontecem mesmo”, e que se não houve vítimas e tudo aconteceu por uma simples falta de atenção, “está tudo bem” e segue-se a vida registrando cada vez mais boletins de ocorrência. Tudo muito simples.
O problema é que não é assim. Todo acidente de trânsito merece ser pensado e discutido, tanto pelos envolvidos quanto pelas autoridades. Um acidente sem vítima não pode ser encarado como “sem gravidade”. Afinal, mesmo se um acidente não gerou vítimas por um ou outro fator, aconteceu o acidente, e dele poderiam sair pessoas vitimadas não fosse obra da sorte, vez que os resultados de um acidente não são previsíveis. O que percebo, ao atender várias ocorrências de acidentes, é que os motoristas não demonstram nenhuma preocupação em refletir sobre as causas dos acidentes em que se envolveram. Ou melhor, na maioria das vezes, já chegam com um culpado de plantão: o ”outro”. Entre os policiais, costumamos dizer que este “outro”, se existisse, já estaria respondendo a um sem-número de processos e pobre-de-marré de tanto pagar indenizações.
Mas, será que este “outro’ é assim tão culpado? Quem será este “outro”?
O “outro” é sempre aquele que exime um motorista da culpa pelo acidente. Pode ser um “carro que me fechou”, “um carro que parou de repente e eu desviei” ou mesmo o próprio trânsito em si. O “outro”, nos casos mais revoltantes, pode ser a própria vítima, que segundo os relatos, “me fechou e eu bati”, “atravessou na minha frente e eu atropelei”, “estava muito devagar e me fez ultrapassá-la”, entre outras possibilidades. O outro é sempre alguém que não sou “eu”.
É na frieza dos números de acidentes e vítimas no trânsito que estão estes “outros”. São as vítimas da imprudência, da imperícia e da negligência dos milhares de “eus” que dirigem sem responsabilidade. Que bebem “um pouco” e se acham capazes de dirigir, colocando a vida dos outros em risco; que não respeitam sinais de trânsito; que excedem a velocidade; que ignoram que cada “outro” tem um rosto, uma família e uma história triste para deixar.
Muitos motoristas ainda não perceberam que a distância entre ser o “outro” ou ser o “eu” é apenas circunstancial. A luta por um trânsito mais organizado e pelo direito de ir e vir com segurança passa pela conscientização de que os “outros” somos “nós” e de que o rosto e a história envolvidos nos acidentes também são nosso rosto e nossa história.
Como policial, apesar de todo o esforço de fiscalização, considero que faço parte desta triste cadeia de acontecimentos, quando algumas vítimas, ainda dentro das ambulâncias dos serviços públicos, nos pedem para avisar seus parentes ou quando somos obrigados a informar a morte de alguém em razão de acidente. É neste momento que podemos ouvir a voz do “outro”; daquele que até então não tinha rosto ou identidade mencionado nos relatos dos irresponsáveis causadores dos acidentes, mas que tem um pai ou mãe, ou marido, ou filhos, chorando no telefone, nos implorando por lhes dar mais detalhes e mais informações que lhes possam reconfortar um pouco. E muitas vezes, nós não temos essas informações e nem podemos dar o reconforto pedido.
Que missão difícil é dar uma notícia a um pai do falecimento de seu filho. Entregar a ele objetos pessoais encontrados no veículo: camisetas de festas, CDs, livros que um dia fizeram parte de momentos alegres, hoje embalados em um saco fechado. Muitos policiais, nem conseguem cumprir esta etapa e pedem ajuda a outros colegas. A sensação é um misto de impotência, culpa e solidariedade humana que nos dá vontade de chorar junto com pais, mães e familiares. E seguramos esta vontade de chorar porque é preciso ajudar a família, dar orientações, tomar providências burocráticas e administrativas que, se por um lado são necessárias, não trarão de volta a vida do ente querido.
E depois que tudo termina a família vai para casa. O plantão continua com outras ocorrências. Na minha cabeça, porém, permanecem os rostos de olhos tristes e molhados de cada uma daquelas pessoas, como gritos silenciosos de socorro, como dores que poderiam ter sido evitadas, como vidas que poderiam ter sido preservadas.

Marisa Dreys
Inspetora da Polícia Rodoviária Federal

criado por fernando_pedrosa    14:49:42 — Arquivado em: Sem categoria

6/9/08

ROSTO E HISTÓRIA - Carol & Dona Josefa

                     

Perdi minha única filha e minha mãe na mesma tragédia…

Meu nome é Maria José da Silva Amaral e o que houve de mais marcante em minha vida e que foi também responsável por uma mudança brusca na minha direção, expectativas e sonhos, foi a morte repentina de minha mãe Josefa (66 anos) e da minha única filha Carolina (Carol 4 anos e 6 meses), no dia 20 de dezembro de 2000, na Rua Uruguai na Tijuca, Zona Norte do RJ.

Lembro-me como e fosse hoje! Era praticamente Natal. Eu havia saído para trabalhar e as duas resolveram antecipar os festejos e saíram para levar um presente para uma pessoa querida. Quando tentavam atravessar a rua, diante de um sinal na faixa de pedestres que se localizava logo após uma curva, foram colhidas por um ônibus que certamente vinha em alta velocidade. De imediato minha mãe que muito se machucara (acho que ela tentou proteger a neta até naquele momento), foi a óbito no local, enquanto a minha filha, que parecia intacta, faleceu poucos minutos depois, no hospital por traumatismo craniano.

A ocorrência se deu em torno das 14 horas e eu que nunca passava por aquela rua, resolvi retornar por ali, já que dava carona a uma colega que morava nas proximidades. Quando passei vi o movimento, percebi que era um atropelamento e comentei com a minha colega o quanto deveria ser difícil perder um parente naquela época de natal. Foi quando recebi um telefonema do pai de Carol, de quem eu me separara em 1998 (vivemos 14 anos juntos e amávamos muito nossa filha), e constatei que todos estamos sujeitos a violência do trânsito. Aquela infeliz ocorrência que eu vira anteriormente envolvia exatamente as duas pessoas que eu mais amava na vida (ainda as amo), minha mãe e minha filha.

A partir daquele momento, nascia outra Maria José que, enfraquecida e só, precisava buscar forças para lutar por justiça. Assim, dolorida, vazia e sofrida, conheci pessoas que de alguma forma queriam tirar proveito daquele momento e ainda muitas outras como Vera Dias Carneiro (vítima e militante respeitada já falecida) que muito me auxiliaram na busca incansável que uma vítima de trânsito trava na tentativa de amenizar um enorme sentimento de impotência através da justiça.

Nunca me revoltei. Não briguei com Deus e me mantive crente na justiça dos homens, mesmo sabendo que este caminho envolvia longo percurso (por incrível que pareça, no meu entender é muito mais difícil quando um acidente envolve uma empresa de ônibus).

Durante esses quase 8 anos passei por muitas fases. Fui acusada e mal entendida, mas nada disso me fez parar. Nem mesmo no dia em que, no Fórum, diante de várias pessoas que participavam do julgamento, ouvi a desembargadora dizer que minha mãe morrera porque atropelara o ônibus e minha filha porque caíra do colo dela (vale lembrar que minha mãe não era louca e nem minha filha andava no colo). Saí dali triste, acompanhada por amigos e militantes da causa. Decepcionei-me, mas a luta continuou e o caso foi parar no Supremo.

Quanto à questão civil, após 7 anos de troca de farpas e dor das feridas sem cicatrização, chegou-se a um acordo. Longe ainda do valor da vida da minha mãe e da minha filha, tendo em vista que nada neste mundo pagaria o que eu perdi e por elas (que me davam tanta felicidade) eu seria capaz de dar minha própria vida.

Na esfera administrativa (Comissão Cidadã do Detran/RJ), o motorista, apontado como responsável pela ocorrência, foi autuado, conforme Art. 160 do CTB (apreensão da CNH para novos exames e curso de reciclagem).

Em 2003, após participar de entrevistas em jornais, revistas e TV, criei o Projeto Navi (Núcleo de Apoio à Vítima de Trânsito no Detran/RJ), que com o objetivo de trabalhar questões emocionais, sociais e jurídicas envolvendo vítimas de trânsito, tem colaborado com muita gente e continua a disposição de todos aqueles que necessitarem.

Eu, durante esse tempo, muito aprendi. Conheci várias pessoas e com algumas sofri, pois estas traziam cicatrizes como as minhas, escrevi livros (o último escrito a ser lançado tem o título provisório de Seguindo a Estrada - Trajetórias de Perdas Repentinas no Trânsito), fortaleci minha fé, ajudei e muito fui auxiliada por várias pessoas.

Fiquei muito satisfeita com a aprovação da Lei 11.705/08, pois não agüentava mais ouvir com tanta freqüência que condutores alcoolizados tinham tirado a vida de inocentes. Tenho colaborando bastante com os voluntários do Navi na luta que o Fernando Diniz iniciou em relação às penas alternativas, em vias de também se tornar lei. Afinal, trocar vidas por cestas básicas não justo nem edicativo e jamais mudará este quadro de violência impune.

Espero de fato que as lei se tornem cada vez mais severas e coerentes com a gravidade das questões que envolvem o trânsito e os motoristas. Também espero que outras pessoas interessadas em trabalhar com vítimas de trânsito surjam pois, pela minha experiência após passar pelo trauma, todos passam a ver o trânsito de forma diferente transformando-se em ótimos multiplicadores de boas condutas no trânsito.

Finalmente, gostaria de lembrar que precisamos começar a levar em consideração os danos subjetivos e emocionais que ultrapassam a dor física da perda. Muitas vítimas e parentes não morrem nos acidentes, mas tornam-se verdadeiros mortos vivos, vítimas da depressão pós-trauma, uma situação que mexe com a qualidade de vida das pessoas e com a economia do País.

 

criado por fernando_pedrosa    11:56:26 — Arquivado em: Sem categoria
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