28/8/08
ROSTO E HISTÓRIA - Andrea Pino & José Walter
A LUTA SEM LIMITES PELA JUSTIÇA

Andréa Pino, tinha 33 anos.
Era Desenhista Industrial e Arquiteta quando brutalmente assassinada por um motorista imprudente às 13 horas do dia 23 de março de 2000, quando retornava de um compromisso profissional. Andréa inocentemente esperava o ônibus na calçada da Av. Sernambetiba, na altura da “Praça do O” na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, quando uma caminhonete desgovernada atropelou-a na calçada e seguiu derrubando o que encontrou pela frente. Com quase 15 metros de extensão a marca negra dos pneus na tentativa de frenagem indicavam a causa da tragédia: Excesso de velocidade. Andréa sem qualquer chance de defesa foi jogada a 20 metros de onde estava e faleceu a caminho do Hospital Miguel Couto.
Andrea morreu e com ela, parte de mim também se foi. Eu a conheci em 1992 em uma festa do Banco onde trabalhávamos, e desde então, jamais nos separamos. Andréa era (e ainda é) a mulher dos meus sonhos. Na manhã do seu falecimento, antes de sairmos para nossas atividades conversamos sobre nossa vida em conjunto que mal começara e os planos comuns. Ela não era somente minha mulher. Era companheira, amiga, parceira, cúmplice e a alegria da minha vida.
Desde sua morte venho travando uma luta incansável por Justiça. Formado em Economia e trabalhando no mercado financeiro, mudei objetivos e estilo de vida e me matriculei em um curso de direito para tentar atuar no processo, em virtude dos absurdos constatados na instrução criminal. Quando me formei, em 2006, apresentei como trabalho monográfico o tema IMPUNIDADE NOS CRIMES DE TRÂNSITO. Em meu discurso, na cerimônia de formatura, falei sobre os milhares de AUSENTES prematuros que o trânsito nos impõe. Estou definitivamente envolvido na luta por um trânsito civilizado. Sou membro ativo de entidades ligadas às vítimas e trabalho como advogado com crimes de trânsito.
Minha luta em busca de justiça para o crime que me tirou Andréa começou no DETRAN/RJ. Apresentei provas junto à COMISSÃO CIDADÃ, para que o condutor responsável fosse punido na esfera administrativa. Essa foi a primeira vitória. O motorista do veículo teve a sua habilitação suspensa e após cumprir a pena judicial, terá que submeter a novos exames para voltar a dirigir.
Na esfera criminal, entretanto, no primeiro julgamento o condutor foi incompreensivelmente absolvido por falta de provas, apesar de constar dos autos farto material fotográfico do acidente e laudo do Instituto criminalístico oficial (Instituto Carlos Éboli) comprovando o excesso de velocidade, além de testemunhos de pessoas que presenciaram o acidente. O Ministério Público recorreu e, finalmente ele foi condenado em 2ª instancia pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro a 3 anos, 7 meses e quinzes dias em regime semi-aberto. Sua pena foi substituída por pena alternativa (prestação de serviços à comunidade); sua habilitação suspensa por igual período e obrigado ao pagamento de 10 salários mínimos em favor da mãe de Andréa e 5 salários mínimos em favor de outra vítima do atropelamento que, felizmente, conseguiu sobreviver.
Na esfera cível, o condenado, por enquanto, fui eu. Em virtude de uma entrevista que dei a uma emissora de televisão, fui processado por danos morais e condenado a pagar R$3.000,00 ao proprietário do veículo, que não era o condutor quando do acidente. Mas isso não me intimidou e continuei na busca por Justiça, acompanhando os processos instaurados na esfera cível, criminal e administrativa. Atualmente advogando para minha sogra, dona Maria do Socorro, ganhamos em todas as instâncias e agora o proprietário do veículo vem recorrendo com uma Ação Rescisória, objetivando anulação da condenação já prolatada pelo STJ e STF.
Na esfera criminal, já com condenação transitado em julgado, o condutor do veículo, vem prestando serviços à comunidade em um posto de atendimento do DETRAN/RJ. Sua CNH já está sob custódia do órgão de trânsito desde a época de sua condenação administrativa.,Porém, até o momento, não efetuou o pagamento da pena pecuniária. O Juiz da Vara de Execuções Penais, em virtude do inadimplemento, intimou o condutor para pagamento dos valores já mencionados em 30 dias, sob pena de conversão da Pena Restritiva de Direito em Pena Privativa de Liberdade, ou seja, “não havendo pagamento, converta-se em prisão”
Com o intuito de ressarcimento ao erário público em virtude de destruição de patrimônio do Município, apresentei à Procuradoria do Município do Rio de Janeiro provas e documentos do fato e da destruição do patrimônio público, tendo sido aberto o PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 11/000.750/2001. Mesmo tendo uma decisão do Procurador do Município do Rio de Janeiro para que o proprietário pagasse os danos causados ao erário público, sob pena de inclusão do mesmo na Dívida Ativa, a condenação não foi efetivada e posteriormente o processo foi arquivado por prescrição.
A Sociedade tem que estar permanentemente atenta. A intervenção da Justiça tem por objetivo prevenir o delito, promover a segregação punitiva do infrator, constituindo-se na última reação do Estado em face da criminalidade. Por isso, é forçoso reconhecer a importância da aplicação de penas alternativas. O não cumprimento das penas impostas, tanto na esfera Judicial como na esfera Administrativa, representam uma afronta à sociedade e ao estado de direito e ofendem cidadão de bem que assistem impotentes a mais um caso de impunidade.
Espero que minha perda irreparável e minha luta obstinada não sejam em vão.
Se esse pequeno relato de minha história puder ajudar a outros que, infelizmente, passam pelo mesmo calvário ou que contribua para evitar novas barbáries, poderei dizer na velhice, a mim mesmo ou a quem quiser escutar: EU FIZ A DIFERENÇA.

José Walter
criado por fernando_pedrosa
19:39:25 — Arquivado em: 

Caro Walter
Parabéns pela sua luta pelo Direito. Não é à toa que a Deusa da Justiça tem em uma de suas mãos, a balança, que simboliza o Direito; e na outra, a espada, que é a força da qual ela se vale para defendé-lo. Parabéns!!
Comentário por MARCELO NOGUEIRA — segunda-feira, 1 de setembro de 2008 @ 10:19:12
Parabéns Walter, pela sua determinação, pela sede de justiça. É disso que nós precisamos… Você é exemplo para quem tem que fazer e não faz.
PARABÉNS PELA LUTA, ENFIM A JUSTIÇA SERÁ FEITA.
Comentário por Cláudia Colman d'Ávila — segunda-feira, 1 de setembro de 2008 @ 13:02:12
Walter demonstrou, desde o princípio, ser um exemplo de perseverança, de não-conformismo e de transformação.
Conseguiu fazer justiça em todas as searas possíveis do nosso ordename jurídico, e logrou quase que a totalidade dos seus objetivos.
Foi tão determinado que a dor o fez mudar de carreira e agora brilha como advogado e como exemplo de um homem de garra.
Parabéns e que Deus te dê muitas forças para seguir com a sua vida de consciência tranqüila pelo dever já cumprido.
Você fez a sua parte e com diferença.
Comentário por Fernanda Bandarra — segunda-feira, 1 de setembro de 2008 @ 22:34:24
Conheci José Walter quando ingressei na AVITA da saudosa Vera Dias Carneiro.
Vi, naquele exato momento,a paixão de um homem e seu desejo de justiça.
De muitas histórias de sucesso que conheço a dele começa com uma tragédia pessoal.
Que seu exemplo se multiplique e que outros, se Deus quiser, não precisem sentir sua dor.
Comentário por Fernando Pedrosa — sexta-feira, 5 de setembro de 2008 @ 16:48:48
Parabéns mesmo Valter1
Sei o quanto tudo isso foi é e será importante para você. Com certeza é a essencia do seu viver e que o transformará em um profissional a cada dia mais respeitado, competente e renomado no meio, por não ser mais um, mas sim aquele que faz a diferença na defesa dos direitos…
Carlos
Comentário por Carlos Alberto — terça-feira, 27 de outubro de 2009 @ 11:53:02
Josaé Walter,
Continua sua luta. Estava vendo agora o Fantástico 3 acidentes de trânsito, um do ônibus que cruzou sem ser sua preferência e bateu em um carro que rodou a a criança no colo da avó voou pela janela do carro, se salvou; o outro um ônibus que cai em cima dee um casal que estava com o filho no colo, a mãe conseguiu lançar longe o filho, o filho se salvou o casal morreu. Não consigo entender entre em um CRIME com um veículo e um delito com um tiro de arma de fogo de alta potência. Até quando vamos conviver com isso. Somente Deus, para nos dar sua sabedoria e luz para continuarmos lutando contra estas barbaridades. Força em sua luta.
Comentário por Murilo — domingo, 1 de novembro de 2009 @ 20:14:02
José Walter
Acabo de lhe ver na TV ( acho que ainda tenho boa memória, pois lhe vi algumas vezes), e fiquei muito emocionada.
Sou Arquiteta e a Andrea Pino foi minha monitora no curso de Arquitetura e Urbanismo no Bennett.
Quantas lindas recordaçoes!
Gostaria de saber imensamente como contribuir na sua ardua e bela trajetória.
Força sempre
Glaucia Augusto Fonseca
Comentário por Glaucia Augusto — sábado, 14 de novembro de 2009 @ 20:54:30