29/7/08
O IMPORTANTE NÃO É MULTAR, É SALVAR VIDAS

A Lei 11.705/08 de tolerância zero para o consumo de álcool no trânsito é, sem margem de dúvida, a lei mais discutida e comentada de todos os tempos. Discussões essas que passam por mitos insustentáveis, como o registro de alcoolemia por quem consome bombons de licor ou usa enxaguantes bucais, e chegam à tese de que ninguém é obrigado a prestar provas contra si. A virtude desses debates que têm ocupado generosos espaços dos veículos de comunicação é contribuir para que a sociedade compreenda perfeitamente as razões da mudança na lei de trânsito e seus legítimos objetivos.
Não é novidade para ninguém a gravidade dos chamados acidentes de trânsito no Brasil e suas conseqüências, tanto nos aspectos sociais quanto econômicos. Exibimos um vergonhoso número que ultrapassa três dezenas de milhares de mortos por ano, além de centenas de feridos, muitos com seqüelas permanentes. Aliás, talvez seja exatamente a freqüência com essas ocorrências acontecem que a sociedade acaba por encará-la com certo conformismo, na falsa impressão de que são coisas da vida, são imprevisíveis e inevitáveis.
Ledo engano. Não são coisas da vida.
São casos de mortes provocadas por imprudência, negligência, imperícia e desobediência à lei, todas atitudes perfeitamente previsíveis e absolutamente evitáveis.
Dentro desse cenário trágico do asfalto brasileiro, desponta com significativa importância a perigosa mistura álcool e direção. As estatísticas indicam que em quase 70% dos óbitos em decorrência de acidentes de trânsito, a presença do álcool é constatada nas necrópsias. E o mais cruel dessa macabra estatística é que predominam vítimas situadas na faixa etária dos 15 aos 29 anos, exatamente a mais produtiva e promissora de nossa população. Essa combinação letal está matando nossa juventude, frustrando expectativas e interrompendo sonhos e esperanças de centenas de milhares de famílias.
Pois bem, a Lei 11.705/08 veio para tentar dar um basta nessa escalada. Equivocadamente batizada de “Lei Seca” ela é, na verdade, uma lei em defesa da vida e da segurança da circulação. Ela não proíbe a bebida. Ela só não permite – e para isso é necessário todo o rigor possível – é que quem bebeu assuma o volante de um veículo colocando em risco além de sua própria, a vida de pessoas inocentes. De seca, apenas o sangue que certamente vai deixar de correr a cada motorista alcoolizado retirado do tráfego.
Aliás, essa é com certeza a principal virtude da nova legislação. Muito mais significativa do que a multa R$957,77 que será cobrada do motorista alcoolizado é a sua retirada de circulação naquele exato momento, tornando a via muito mais segura. O processo administrativo que vai responder, e que certamente o manterá afastado da condução de veículos por 12 meses, deverá servir como lição definitiva para sua plena conscientização. Ao voltar será um motorista mais cuidadoso, prudente e não mais uma ameaça ambulante.
Os dados dos efeitos da nova lei em seu primeiro mês de vigência já são uma constatação inequívoca de seu poder preventivo. Os níveis de morbi-mortalidade em todo o país em decorrência de acidentes de trânsito caíram substancialmente. São constatações irrefutáveis que garantem que a lei era necessária e que veio para ficar.
Por enquanto as pessoas de bem, sejam elas bebedores responsáveis ou abstêmias, aguardam com confiança a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a constitucionalidade da lei. Questionada por representantes de segmentos que defendem, claramente, interesses econômicos de alguns poucos, caberá à corte suprema de nosso país a palavra final em defesa do interesse coletivo e do bem maior que é a VIDA.
*Fernando Pedrosa
Consultor e especialista em prevenção e segurança no trânsito. Ex-Coordenador do Programa de Redução de Acidentes no Trânsito do Ministério dos Transportes
criado por fernando_pedrosa
14:15:34 — Arquivado em: 

Parabéns ao Trânsito Amigo pelo Blog.
Em breve será uma referência nacional em discussão e atualização sobre prevenção de acidentes de trânsito e apoio à s vÃtimas.
Cordiais saudações e um forte abraço.
Fernando Moreira
Comentário por Fernando Moreira — terça-feira, 29 de julho de 2008 @ 14:55:30
Parabéns Fernando,o texto mais que maravilhoso, é verdadeiro. Esta campanha não pode acabar, não pode esmorecer.Você tem o meu apoio incondicional.
Comentário por Katia Araujo — terça-feira, 29 de julho de 2008 @ 14:56:59
A FUNDAÇÃO THIAGO DE MORAES GONZAGA comemora os resultados positivos neste primeiro mês da implantação da LEI que para nós, não é “Tolerância Zero” ou “Lei Seca”, e sim, LEI DA VIDA.
De norte a sul do paÃs, os números têm demonstrado um importante avanço na preservação da vida, com a redução nos acidentes, do número de mortos e feridos, de leitos ocupados nos hospitais, de atendimentos de emergência. Só esses números justificam a sua existência.
Quantas VIDAS foram salvas? Quantas famÃlias receberam seus filhos de volta? Só temos a comemorar!
A Sociedade abraçou essa causa e vêm aprovando a mudança, e mais do que isso vem colaborando, mudando seus hábitos, debatendo o assunto, nunca se conversou tanto sobre comportamento como agora.
O apoio da sociedade não é surpresa para nós da Fundação Thiago de Moraes Gonzaga. Lembro que em Junho de 2004 manifestei através de um desabafo a imprensa, que iria até o Senado e a Câmara tentar mudar a legislação. Coletamos mais de 50.000 assinaturas e entregamos ao Ministro Tarso Genro em 2007, pedindo a proibição da venda e do consumo de bebidas nas estradas e uma legislação mais rÃgida.
A “LEI DA VIDA” é um patrimônio de todos nós e somos responsáveis para que ela continue cumprindo seu objetivo maior: SALVAR VIDAS!
Diza Gonzaga
Presidente da Fundação Thiago Gonzaga
Comentário por Fundação Thiago Gonzaga — terça-feira, 29 de julho de 2008 @ 18:11:04
MANIFESTO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PEDESTRES
Todos nós, favoráveis ou não à chamada Lei Seca para o Motorista, reconhecemos que ela está salvando vidas numa proporção bem acima do esperado. A ABRASPE soma-se à maioria da população brasileira para dar-lhe apoio. Uma parcela pequena dela, ainda que significativa, faz-lhe restrições por confundir o Direito de Ir e Vir com a Licença para Dirigir. O cidadão aprovado nos exames e testes organizados pelas entidades de trânsito recebe a CNH. Contudo, somente poderá usufruir de licença para dirigir se respeitar as regras e cumprir as sanções que lhe forem impostas quando as infringir conforme determina o CTB. A ABRASPE conclama aqueles que lutam para revogar a Lei terem em mente que dezenas de milhões de brasileiros estão respirando aliviados com menos mortos, aleijados e feridos no trânsito e com a redução do risco de se envolverem em acidentes provocados por motoristas alcoolizados. E aqueles que desejam mudá-la para permitir-lhes “beber um pouco” e continuar dirigindo, saibam que o risco de acidente aumenta em função da faixa de idade e da reação de cada indivÃduo ao nÃvel de álcool em seu sangue, em cada momento. Infelizmente, as leis não podem ser feitas sob medida de modo a permitir que cada um dirija segundo sua opinião de segurança no trânsito.
Qualquer cidadão tem o direito de “beber um pouco”, ou muito, se assim quiser. Por outro lado “o trânsito em condições seguras, é um direito de todos…” Para que os dois direitos sejam compatÃveis, o cidadão que bebe pouco, ou muito, está proibido por lei de dirigir. Contudo, não perde o direito de ir e vir motorizado. Ao contrário, tê-lo-á com mais segurança ao ser transportado em veÃculo conduzido por motorista sóbrio, seja em veÃculo particular ou público.
E. J. Daros - Presidente
Comentário por ABRASPE — terça-feira, 29 de julho de 2008 @ 18:20:39
Bravo Fernando
Certamente é e sera um sucesso.
Já está nos meus favoritos.
P.S.Não poderiamos por neste blog aquelas assinaturas que falamos?
Fabio Racy
Comentário por Fabio Racy — terça-feira, 29 de julho de 2008 @ 19:09:58
Parabéns Fernando, por mais essa ferramenta que com toda certeza será um sucesso pois reune todos os subsÃdios que nossa sociedade precisa para que tenha inÃcio realmente, a verdadeira mudança de comportamento que todos esperamos para se acabar com essa guerra que continua levando muitas vidas. A mudança de comportamento que eu sonho há pelo menos 30 anos, parece começar e não podemos e nem vamos deixar que os “incomodados” que sempre apostam no esfriamento no rigor, venham a comemorar. Quem deve comemorar são as pessoas que pensam no bem comum. “Os incomodados, que bebam mas não dirijam”
Abraços a todos!
Hélio Dias
Comentário por Hélio Dias — terça-feira, 29 de julho de 2008 @ 19:58:10
Olá, Fernando!
Parabéns pela iniciativa de criar o Blog e inaugurá-lo com esta discussão sobre a lei 11.705. Concordo com você em tudo e destaco que é mesmo um equÃvoco chamá-la de “Lei Seca”, que remete a um perÃodo histórico e geográfico completamente diferente do que vivemos hoje, com caracterÃsticas e motivações diferentes também. Não tráfico de bebidas alcoólicas e ninguém está proibido de beber. O que se proibe, através desta lei é por a vida dos outros (e a sua própria) em risco ao beber e dirigir posteriormante.
O que eu acho muito bom em todas estas discussões que estão acontecendo é que sinto que há uma clara condenação social daqueles que dirigem após beber. Por muito tempo esta indignação ficou oprimida pela exaltação do álcool em qualquer circunstância. Parece que alguns que sempre desejaram expor sua contrariedade, sua desaprovação a atitudes como beber e dirigir encontraram neste momento a oportunidade de se manifestar. Tenho proferido inúmeras palestras a este respeito, em órgãos públicos e empresas privadas e a aprovação popular tem sido enorme. Espero, torço e participo de tudo o que puder para que esta lei seja aplicada com continuidade e que a responsabilidade no trânsito se torne cada vez mais um valor em nossa sociedade.
Comentário por Marisa Dreys - PolÃcia Rodoviária Federal — terça-feira, 29 de julho de 2008 @ 23:18:06
Sem qualquer sombra de dúvidas o advento da Lei 11.705/2008, representa um avanço do legislador ordinário brasileiro, na medida em que atende a antigos anseios dos segmentos envolvidos com o tema.
O rigor da lei nada mais representa que uma resposta proporcional do Poder Público a uma espécie de doença social que vem, principalmente nos últimos dez anos, ceifando vidas e produzindo reflexos negativos nas mais diversas áreas.
Pugnamos pela manutenção da constitucionalidade da norma junto à Corte Suprema, para que possam os Órgãos fiscalizadores continuar fazendo uso dessa importante ferramenta a serviço da segurança viária, a serviço da vida.
Comentário por André Luiz de Azevedo — quarta-feira, 30 de julho de 2008 @ 09:30:49
Parabéns pela criação do blog e pelo texto bem claro e realista. Acho que a iniciativa vai colaborar em muito para a discussão e consequente aprimoramento cada vez maior das leis de trânsito. Você tem uma participação muito importante nisto com seu trabalho sério e dedicado. P A R A B É N S!
Bárbara
Comentário por Bárbara Macedo — quarta-feira, 30 de julho de 2008 @ 14:35:41
Parabéns Fernando, pela grande iniciativa , difundir informações sérias e relevantes como fazem no grupo e agora com o blog…
Começo a acreditar no impensável: algo pode ser mudado.
Sucesso,
Arabela
Comentário por Arabela Lyrio — quarta-feira, 30 de julho de 2008 @ 18:59:21
O conformismo é pernicioso, leva à banalização, e esta, por sua vez, desagua no despudor. Sem valores e limites para viver a realidade, a pessoa se tranforma num ser tão perigoso quanto motoristas embriagados.
Comentário por Ângela Cunha — quinta-feira, 31 de julho de 2008 @ 13:06:39
Caro Fernando Pedrosa,
Obrigado mais uma vez pela grandeza da iniciativa.
Eu, como pai orfão do meu amado filho Fabricio não tenho palavras para agradecer a todos aqueles que se uniram nesta empreitada, o combate a violência no trânsito. A você, pela iniciativa brilhante, meu “muito obrigado”.
Perder um filho, é perder o seu referencial, seu chão, é afastar-se do seu porto seguro, é não ver mais a luz no fim do túnel!
Sim, é tudo isto e muito mais, mas as palavras não bastam.
Foi preciso muita força, muita fé e vontade de prosseguir para aos poucos voltar a conviver com as simples coisas da vida, voltar a conviver com ela!
Você com sua extrema habilidade muitas vezes me impulsionou ladeira acima, quando eu queria era parar, desacelerar.
A hora é de extrema reflexão!
Muitas vidas ainda serão ceifadas, infelizmente, mas para aqueles que felizmente ainda nada perderam, fica aqui o meu apelo sincero para preservação do direito de viver mais e melhor.
O meu muito obrigado a todos.
Um forte abraço.
Fernando Diniz
Comentário por fernando diniz — quinta-feira, 31 de julho de 2008 @ 13:59:00